VIVA – A VIDA É UMA FESTA

Por Felipe Ferracioli

As animações são um dos territórios artísticos em que a imaginação é colocada em xeque de maneira mais vibrante para não haver limites. Poder mergulhar em universos com seres distintos, mas tão carregados da psicologia humana, é se deparar com sentimentos que nos fazem parte de alguma maneira. A potência de um filme deste estilo é quando não se estabelece uma idade para poder dialogar com as suas questões.

Viva – A vida é uma Festa, cujo título original é Coco, já vem criando uma boa expectativa para os apreciadores e diversos públicos. O filme já arrecadou uma expressiva quantia de espectadores e bilheteria em outros países, além de diversas indicações e premiações em festivais e associações. A Pixar tem feito nos últimos anos ótimas animações que não são apenas bem-feitas tecnicamente, mas também inteligentes, como é o caso de Divertida Mente (2015).

A produção se passa no México e nos faz acompanhar o desejo de Miguel, um menino de 12 anos, em querer muito ser um músico famoso em seu país, igual ao ídolo Ernesto de la Cruz. Ele precisa lidar com sua família que desaprova seu sonho, devido a uma relação malsucedida com a música de um dos familiares. Miguel desencadeia uma série de eventos ligados a um mistério de quase 100 anos relacionado à sua família ao prosseguir sua vontade e se ver em uma aventura relacionada com o feriado religioso mexicano do Dia dos Mortos.

Um dos pontos que mais chamam a atenção do filme é o pano de fundo em que se passa a história de Miguel, mas é intrínseca e o motivo no qual sua aventura se desenvolve do jeito que acontece. O feriado do Dia dos Mortos. O interesse da Disney em adentrar na cultura latina é louvável, pois a intersecção de povos e cultura é expressiva nos Estados Unidos, e dar a devida atenção ao que reside no imaginário de um povo que também é parte do país mostra a riqueza dos sentimentos humanos que perpassam e transgridam barreiras. A oportunidade de se adentrar em uma cultura de maneira lúdica e perspicaz deixa claro o cuidado e a intenção de comunicação dos realizadores. Conhecer um pouco mais do próximo tão parecido ao outro. As diferenças são uma igualdade e uma ponte para o autoconhecimento.

O conflito do jovem é outro ponto que chama a atenção, pois para seguir a sua vontade, o seu sonho, vai de encontro com a moral e crença da família. Os valores perpassados de geração a geração encontram um questionamento na subjetividade da criança que não quer seguir a profissão da família, mas aquela que pulsa dentro de si, a que lhe instiga a estar vivo. Um tema que perpassa a todos os seres humanos que vivem em uma família, não necessariamente relacionado à profissão, mas outras questões afetivas e emotivas, seja na religião, política, gostos e visão de mundo filosófica, por exemplo. O embate faz parte do ato de se constituir um ser que vive em sociedade, com suas crenças e opiniões.

Viva – A vida é uma Festa dialoga com diversos públicos pela sua pluralidade enquanto obra, na sua estética e temática. As camadas existentes no filme estão para os diversos olhares de acordo com a imersão que fizerem. Filmes inteligentes e sinceros se mostram orgânicos com o gosto dos espectadores e até o momento já se vê o poder desta produção.

Ficha Técnica


Título Original:
Coco
Diretor: Lee Unkrich
Elenco de Voz: Gael García Bernal, Anthony Gonzalez, Benjamin Bratt, Renée Victor
Gênero: Animação
País: EUA
Ano: 2017
Duração: 1h45
Distribuição: Disney

 

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